segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Cinturão de Kuiper: Um Local de Caça


É madrugada de inverno. Está na hora de caçar. Através da lente da luneta faz um ajuste. O local e a distância são incertos, porém sua dimensão, massa e magnitude são aproximadamente conhecidas. Isso, caso ele exista. A possibilidade de um encontro visual acelera o pulso do caçador. O computador está com o software conectado à câmera no telescópio. A cafeteira cessa seu ruído. A fonte de estimulante está pronta. O caçador agarra uma coberta, abre uma página aleatória de um livro de contos e se acomoda em uma poltrona.


O pequeno observatório fora construído em uma pequena propriedade adquirida há 2 anos. O falecimento da esposa não ajudou, mas seus filhos sim. O incentivo foi acalorante, reacendendo sua chama de caçador de errantes. Não se sentia mais sozinho, todos estavam com ele.

Algumas noites depois de reiniciar sua jornada, o caçador sucumbiu. Câncer era sua constelação predileta quando observava o céu em sua infância, sem saber da ironia que o futuro reservava. Seus herdeiros prometeram continuar a jornada do caçador, usando sua queda para unir os discípulos.

1000 UA longe do pequeno observatório um corpo gélido de -226 ºC de tamanho comparável ao dos gigantes gasosos do sistema solar se move lentamente em sua viagem elíptica ao redor do sol de pouco mais de 10 mil anos. A escuridão está a seu favor, a estrela mais próxima é fracamente refletida, resultando em uma magnitude de +25 na escala astronômica.




    Imagem: https://pjmedia.com/vodkapundit/2016/01/20/the-ninth-planet-redux/
 
Fonte:

http://www.bbc.co.uk/newsbeat/article/35996096/planet-9-is-not-going-to-kill-us
http://earthsky.org/space/evidence-9th-planet-dps-october-2016
http://phys.org/news/2016-08-ninth-planet-reveals-extremely-distant.html

Os Longínquos Planetas Anões: Éris




A descoberta feita pelo astrônomo Michael E. Brown, batizado pela deusa grega do conflito deu início ao que acabou culminando no rebaixamento de Plutão com a nova classificação de planetas. Brown calculou que a massa de Eris é 27 por cento mais massiva que a de Plutão, somando-se ao aferimento de que seu diâmetro era pouco maior que o de Plutão, 2330 e 2329 km respectivamente.

A órbita completa de Eris ao redor do sol dura 557 anos terrestres. Órbita essa, cuja trajetória se distingue do plano imaginário em que estão as órbitas dos planetas, se estendendo muito além do cinturão de kuiper, local de detritos congelados além da órbita de Netuno. Todos os asteroides do cinturão de asteriodes (entre as órbitas de Marte e Júpiter) cabem dentro de Eris que, no entanto, assim como Plutão é menor que a Lua da Terra. Possui um satélite chamado Dysnomia.



Informações técnicas: 

Descoberta
Data: 21/out/2003
Descoberto por: M. E. Brown, C. A. Trujillo e D. Rabinowitz

Tamanho Orbital em Torno do Sol
Medida: 10.180.122.852 km

Velocidade Orbital Média
Medida: 12.364 km/h

Excentricidade Orbital
0,433628367

Período de Rotação Sideral
1,079 dias terrestres
25,90000 horas



Fonte: NASA acessado em 19/out/2016

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Plutão e a Batalha dos Planetas

Para reinaugurar este blog, pretendo iniciar uma série de artigos básicos sobre o sistema solar. De início, para tirar a poeira encrustada na sessão projetos congelados apenas uma breve menção aos outrora polêmicos planetas anões.

Existe uma batalha interplanetária sendo travada neste momento, mas a Terra, por hora, está livre dela. É uma batalha que não altera como, o quê ou porquê os planetas orbitam outros planetas, estrelas e qualquer outro corpo celeste. Também não há nem haverá mudança de pressão atmosférica ou de sua composição. Essa batalha é decidida no campo das idéias. Mais especificamente a respeito da classificação destes corpos baseado em regras que embora estabelecidas, ainda estão abertas a esclarecimentos e alterações, assim como qualquer área da ciência.

Plutão, o mais famoso dos planetas anões, não foi o primeiro planeta a ser reclassificado. Ceres, o maior objeto situado no cinturão de asteroides (entre as órbitas de Marte e Júpiter) já "sofrera" destino parecido com de seu agora companheiro de classificação. Quando em Janeiro de 1801 na cidade de Palermo, o italiano Giuseppe Piazzi descobriu Ceres, este fora posto entre planetas. Cinco décadas mais tarde, após vários corpos celestes serem avistados com órbitas semelhantes, inaugurou a prateleira dos asteroides onde permaneceu até 2006, após a nova classificação de planetas anões ser estabelecida. Fora também o primeiro planeta anão a ser visitado. A missão Dawn levou a esse primeiro contato quando se aproximou de sua órbita em 2015.


Imagem: spaceplace.nasa


Até 20 de outubro de 2016, segundo Mike Brown haviam:

  • 10 objetos que certamente são planetas anões,
  • 30 objetos que quase certamente são planetas anões,
  • 75 objetos que parecem ser planetas anões,
  • 147 objetos que provavelmente são planetas anões e
  • 695 objetos que possivelmente são planetas anões.


Um planeta anão não é muito diferente de um planeta comum, pois ambos circulam ao redor do sol e possuem massa e força gravitacional suficiente para possuírem corpos esféricos, diferente dos asteroides. Outros corpos com a mesma classificação detectados são Haumea, Makemake e Eris. Nas figuras pode-se ter uma idéia da escala desses objetos.


Fonte: NASA acessado em 19/out/2016

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Astronomia na sala de aula

Uma aula de física pode se tornar mais interessante aos olhos dos alunos quando a matéria alcança a astronomia. Isso porque ela se vende melhor, com mais atrativos visuais e informações totalmente fora do senso comum e novidades a todo instante. Sempre há algo novo sendo descoberto e o universo a ser explorado. O mesmo espírito aventureiro que instigou europeus a atravessarem o oceano rumo ao desconhecido desperta dentro dos alunos quando apresentados à essa extraordinária ciência.
Na última quarta-feira, 1, entreguei revistas sobre os mais variados temas relacionados à astronomia, como o sistema solar, exploração espacial, observação celeste e cometas. Separados por grupos de 2 ou 3 alunos fizeram uma leitura analítica de temas nunca antes apresentados sem maiores aprofundamentos. Alunos outrora dispersos e desinteressados se maravilhavam com a nova percepção da natureza que lhe surgia.
Os alunos ainda não sabem, mas na próxima quarta-feira, 8, cada grupo irá apresentar para os demais o que aprendeu com sua leitura analítica, qual a relevância do tema em questão, responder, naturalmente, a eventuais questões levantadas ao longo da discussão. Posteriormente, lhes apresentarei uma luneta caseira, explicarei sua função, descoberta e modo de utilização. Como a aula é diurna, não teremos como observar a lua ou as estrelas. Talvez o sol esteja disponível, mas lembrando sempre que nunca se deve olhar o sol diretamente através de um telescópio, do contrário corre-se o sério risco de uma cegueira imediata. Essa observação deve ser realizada indiretamente, projetando-se a imagem em um papel opaco ou em uma parede.
Com isso espero salvar o ano dessa turma, que ficou tanto tempo sem professor na disciplina de física (uma turma de 1º ano do Ensino Médio de uma escola pública da periferia de Londrina).