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domingo, 6 de novembro de 2016

Ceres e a Montanha Solitária


Entre as órbitas de Marte e Júpiter poderia haver outro planeta rochoso. Mas a força gravitacional de Júpiter influenciou em uma possível formação, deixando um rastro de destroços em formatos variados orbitados o Sol. Desde muito pequenos, de caber em nossas mãos, até grandes os suficiente para ser considerado um planeta. Planeta anão, mas um planeta. Embora a estimativa seja de que deva haver até trilhões de asteroides vagando na região, Ceres se destaca como um gigante possuindo cerca de 25% do total da massa do chamado Cinturão de Asteroides e por um século e meio foi considerado parte integrante inclusive em nomenclatura. Ceres, o asteroide, em 2006 mudou-se para a sala dos planetas-anões, e foi o primeiro dentre eles a receber uma visita em sua órbita por uma sonda.
Em 2015 a Dawn entrou na órbita de Ceres, desbravando o mais próximo dos planetas anões. Uma fraca e temporária atmosfera pode ter sido detectada, sendo condizente com o vapor d'água previamente detectado.
Ceres também possui uma montanha peculiar. Sua montanha solitária, onde seu dragão (vide o romance de J. R. R. Tolkien) que nela viveu cuspia gelo ao invés de fogo. Isso porque ela não é só uma montanha, é provavelmente um vulcão que possui atividade geológica em seu passado recente (tendo sido formada no último bilhão de ano). Utilizando modelos 3D, imagens tiradas pela Dawn, dados de outros vulcões vistos em corpos celestes do sistema solar, a equipe que analisou os dados acredita que se trata de um criovulcão (que é um vulcão que não expele magma, mas alguma substância gelada).
Vulcões são esperados em corpos rochosos como a Terra ou congelados, como Enceladus. Mas Ceres é feito de sais, lama e provavelmente água, além de não possuir companheiros massivos próximos. O que levanta uma questão sobre a formação de vulcões e os requisitos para sua existência.

Imagem: NASA

Fatos sobre Ceres:

  • Dia: 9 horas
  • Ano: 1682 dias terrestres ou 4,6 anos terrestres
  • Raio: 476 quilômetros
  • Tipo de planeta: Anão
  • Luas: Nenhuma



Fontes:


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Telescópio Espacial HUBBLE: Imagens que Valem Bilhões e Bilhões

Em 1990 era lançado para a órbita da Terra o primeiro telescópio que  não seria atrapalhado por nenhum fenômeno óptico na atmosférica, podendo captar imagens sem essa interferência. Mas o telescópio batizado com o nome do responsável por alterar nossa percepção de escala no universo com a descoberta de galáxias e a expansão do universo. Percepção essa que nos fora mais uma vez alterada brutalmente, com as estonteantes imagens que nos proporcionou, tanto por sua beleza plástica quanto seu impacto sociocultural. Porque sim, o Hubble se tornou inevitavelmente um ícone cultural, além de uma ferramenta científica. Ele estava em todas as mídias da época, e ainda está. Pois não deixou de fazer descobertas que somente ele seria capaz. A mais tocante, para mim, foi quando vi a imagem na TV da icônica  Hubble Ultra Deep Field mostrada na antológica série Cosmos, idealizada e narrada pelo astrônomo Carl Sagan.
O universo possui aproximadamente 13.8 bilhões de anos e, antes do Hubble, os telescópios terrestres não podiam ver além de galáxias há 7 bilhões de anos-luz, sendo incapazes de fornecer dados para um modelo de formação de galáxias jovens.

Imagem:  NASA, ESA, G. Illingworth, D. Magee, e P. Oesch (University of California, Santa Cruz), R. Bouwens (Leiden University), e o time HUDF09


A imagem acima foi obtida com uma técnica de fotografia bastante conhecida. Ela foi formada de várias fotografias de uma mesma região, resultando em uma superexposição. 10 anos de exposição, utilizando as imagens da antiga foto Ultra Deep Field e outras para formar a eXtreme Deep Field.
Conforme a distância que a luz percorre ela se estica. E dada a enorme distância, da ordem do tamanho do universo, as ondas de luz pendem para o espectro vermelho, tendendo a ficarem não observáveis no espectro visível aos olhos humanos. Por isso o Hubble recebeu câmeras infra-vermelhas e pôde processar a Ultra Deep Field e as posteriores imagens do céu profundo no infra-vermelho, revelando galáxias mais jovens, menores, tempestuosas e distantes.
Seu lançamento, em abril de 1990 marcou o mais significativo avanço científico em astronomia desde que Galileo apontou uma luneta para o céu noturno, quase 4 séculos antes. E graças a quatro missões de reparos e mais de 26 anos em operação, nossa visão do universo e nosso lugar nele jamais serão as mesmas.



Fontes:


Acessado em 03/11/2016


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Os Longínquos Planetas Anões: MakeMake


Imagem conceitual: NASA, ESA, e A. Parker (Southwest Research Institute)


A cada 310 anos terrestres a ainda pouco estudada rocha errante completa uma volta em torno do Sol, cobrindo uma região chamada de Cinturão de Kuiper, sendo catalogado como um objeto transnetuniano. Os cientistas acreditam que Makemake seja pouco menor que Plutão.

Juntamente com Eris, a descoberta de MakeMake ajudou a impulsionar a União Internacional Astronômica à criação da nova categoria de planetas às quais pertencem ambos os novos astros.

Sua atmosfera é constituída predominantemente de metano congelado, que segundo Michael Brown, membro do time de descobridores de Makemake, disse que apesar de cientificamente interessante, o fato não ajudou a escolher um nome. Após o bloqueio momentâneo de idéias, pensou na ilha de páscoa, nos Rapa Nui e seu deus da fertilidade. Problema resolvido.

Uma lua foi observada pelo telescópio Hubble em abril de 2015 e anunciada em 2016 no mesmo mês. Possui 160 km de diâmetro e orbita Makemake a 20.920 km de distância. As imagens sugerem que o satélite é escuro como carvão, em contrapartida de seu companheiro maior, que é bastante luminoso. A explicação seria pela gravidade baixa e logo não conseguiria manter uma superfície com gelo para refletir a luz solar.

Imagem: NASA, ESA, e A. Parker e M. Buie (SwRI)

Fontes:

http://www.nasa.gov/feature/goddard/2016/hubble-discovers-moon-orbiting-the-dwarf-planet-makemake

http://solarsystem.nasa.gov/planets/makemake/indepth

acesso em 31/10/2016